terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Café Saudoso

Tirei sua roupa em pensamento
Tirei seus óculos
Pus meu corpo nu junto ao teu
Despia sua alma no meu sonho
O prazer não estava em toques íntimos
Não estava na minha mão quando descia por sua coxa
O prazer estava em você está ali
Era quando deixávamos amanhecer
E teu olhar por segundos cruzava o meu
Entre um beijo e outro
Entre nossos corpos suados
Entre seus cachos que não estavam mais não definidos assim
Entre teus sinais nas costas que tanto amei beijar
Entre mil coisas fica um café amargo sabor saudade.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O Desprezo dos Corpos

Sinta meu corpo nu
Ele está cru
Igual aquele dia de sol
Aquele dia que você o despiu
Ele é tão quente que você não pode chegar perto
Porque ele não precisa do seu para estar assim
Não dos seus seios
Não das suas mãos
Não da sua boca
Em sua cama nunca ficou meu cheiro
Ela tinha outros cheiros que não coube o meu
Meu corpo demorou em entender que seria moradia de
vários outros corpos
Corpos iguais e tão diferentes do seu
Ele ficou morto por tempos, mas em algum momento
acordou.
Porque existem outros olhos
Outros cabelos
E disso sabíamos
Mas nos permitimos a sofrer por necessidade
Mas ele está nu
E teu tesão não o pertence mais
Nem sua fantasia
Agora ele tem mil moradias
Que o deixam tão quente quanto
Nu.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Onde eu vejo machismo

Eu vejo machismo quando não posso viver sozinha porque toda mulher precisa de um homem.
Eu vejo machismo quando tenho que emagrecer para algum homem me querer e consecutivamente conseguir um marido que me sustente.
Eu vejo machismo quando o melhor pedaço do frango tem que ir para o senhor da casa, o dono de tudo, o chefe.
Eu vejo machismo quando tenho que colocar a comida dele no prato.
Eu vejo machismo quando tenho que ir deixar a comida nas mãos dele.
Eu vejo machismo quando ela não pode falar alto em casa porque é mulher, e o homem quem pode mandar.
Eu vejo machismo quando ela se humilha a ele.
Eu vejo machismo quando só podem almoçar quando ele for almoçar.
Eu vejo machismo em mil coisas, coisas que não quero escrever hoje, que não quero lembrar, só por hoje.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Coisas fáceis

    As coisas poderiam ser mais fáceis, poderia não é poder, ou algo que vá acontecer, mas algo que deveria acontecer/ter. Um dos maiores clichês do mundo que sempre escuto é que tudo que é fácil não tem valor, e sabe, discordo, em partes, mas discordo.
     O fácil pode ser simples não por seu valor não ser tão estimado, mas fácil por parte de quem executa, da manobra e pensamento como realizar, nossos problemas são assim e nunca deixará de ser, as dificuldades virão de acordo como você fará para tentar resolver, talvez (talvez?) não seja tão difícil... Aos olhos de outra pessoa.
     Longe de mim querer vir dar conselhos ou falar sobre teorias de ficar bem, eu ainda procuro a frase que vou colocar como lema de vida e já pensei em muitas como "não é errado se te faz feliz" ou aquela velha música que alguns amigos cantam para tentar te consolar no momento ruim e não sabe como e joga um "sacode, levanta a cabeça e dá a volta por cima". Alguns dirão para ser delicados e não falar a real, do tipo "você é fraco e tente lidar com isso". É doloroso, mesmo se for a verdade.
    

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Solitário

     O vento bate no cabelo fazendo bagunçar ele todo, o pensamento está mais longe do que nunca, talvez seja hora de admitir para o psicólogo que esse tal amor também faz um mal danado, um amor que nunca mais irá voltar, nunca, nunca, nunca mais. O remédio parece que fez as lágrimas secarem, as músicas que antes faziam elas caírem já não fazem mais, o efeito é grandioso, e elas teimam em ficar guardadas. Existe uma sensação de bem estar, mas existe outra que é de estar dopada. Dois lados da moeda.
    Quão humilhante é necessitar de remédio para ser "feliz", para tentar enxergar o futuro e a própria palma da mão. Ter que admitir que é possível fazer tudo sozinha mas tem medo, medo de sair da zona de conforto, medo de arriscar mais, tudo tão devidamente calculado e arquitetado. É humilhante porque isso se aprende sozinho, mas e quando não se sabe ser sozinho? A solidão imposta é horrível, e mais horrível quando você mesma se aprisiona.
     São 22:00 horas, a casa toda dorme, há silêncio e escuridão, silêncio quebrado com o cordeirinho fazendo sua bagunça noturna, com o barulho do vento que bate na palha da carnaúba e faz um som estranho, tão solitário quando o peito. A noite é de lua nova, não é preciso sair no terreiro com uma lanterna. Da janela frontal aberta se ver o alpendre, as estrelas, a luz do luar, as carnaúbas e tudo que a vista alcança da rede. As estrelas parecem mudar de cor, a luz do avião parece confundir, mas é um avião. O avião. É solitário.
    
   

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Solidão e fracasso

     Às vezes a necessidade é apenas de gritar, e berrar o quanto pode, gritar tanto que não seja possível falar direito, gritar até as cordas vocais sangrarem e você vomitar tudo, como se tivesse vomitando toda a amargura, dor, vontade de morrer e raiva. Tudo que tá ali, reprimido, escondido e o que ainda não sabe dizer, talvez você esteja em um momento negativo, é bem provável. Querer bater na parede vai ou pode até aliviar, já que não sente mais nada quando agride seu próprio corpo. Nas suas unhas ainda estão os resquícios da pele, no braço ainda existe uma pequena cicatriz e seu dedo mindinho da mão direita já não é o mesmo depois dos socos.
     Também é provável não saber usar as palavras corretas, não saber expressar porque ainda não sabe quaia palavras cabem. Mas quer explodir, porque essa dor tá oprimindo o peito, tá sufocando, não é querer pena dos outros é não saber saber aonde se está, se sentir tão deslocada que chega comprar o que não deveria porque talvez, quem sabe, ninguém possa terminar com uma vida. Nem a própria. Nunca se sabe. Mas ainda existe um oco dentro de si, mas está repleto de medo, insegurança, carência e desprezo.
     E o grande problema é não saber o que fazer, existe uma vontade incomum de ir há um lugar e gritar tão alto que depois as pernas não sustentem mais o corpo e irá cair no chão e chorar como criança quando a mãe não pode dar o tão sonhado brinquedo. A realidade é o sentimento de fracasso, deveria ter se acostumado já que isso é algo que vem desde a infância, é tão natural que já deveria ter se acostumado com a sensação. O pior é sempre concretizar o sentimento. Mesmo que falem o contrário. Já deveria saber que nem sempre solidão vem junto com o sucesso, o fracasso pode se sentar primeiro, se não ele, a sensação de o medo no futuro. Não é legal isso, é dependência.

sábado, 9 de novembro de 2013

Deixei

     Deixei rasgar a melhor roupa.
     Deixei bagunçar o cabelo.
     Deixei estragar a música, a minha melhor música.
     Deixei pegar o avião.
     Deixei falar ao pé do ouvido.
     Deixei puxar.
     Deixei estragar a cerveja.
     Deixei estragar a tatuagem.
     Deixei estragar as palavras, as que eram só minhas.
     Deixei estragar o café da manhã, o almoço, o jantar.
     Deixei estragar o lugar que amava.
     Deixei fingir, mentir.
     Deixei tocar aonde ninguém tocou.
     Deixei falar tanto quanto.
     Deixei expor tudo que achava.
     Deixei escondido tudo que frustrava.
     Deixei de lado o perto pelo distante. Ou vice-versa.
     Deixei magoar sem desconfiar.
     Deixei o ódio dominar todo o ser.
     Deixei as lágrimas caírem.
     Deixei o corpo todo se arrepiar.
     Deixei a outra vir, sentar, ficar, morar.
     Deixei fazer tudo que teve vontade e nunca percebeu.
     Deixei tudo, dane-se o resto.