quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Coisas fáceis

    As coisas poderiam ser mais fáceis, poderia não é poder, ou algo que vá acontecer, mas algo que deveria acontecer/ter. Um dos maiores clichês do mundo que sempre escuto é que tudo que é fácil não tem valor, e sabe, discordo, em partes, mas discordo.
     O fácil pode ser simples não por seu valor não ser tão estimado, mas fácil por parte de quem executa, da manobra e pensamento como realizar, nossos problemas são assim e nunca deixará de ser, as dificuldades virão de acordo como você fará para tentar resolver, talvez (talvez?) não seja tão difícil... Aos olhos de outra pessoa.
     Longe de mim querer vir dar conselhos ou falar sobre teorias de ficar bem, eu ainda procuro a frase que vou colocar como lema de vida e já pensei em muitas como "não é errado se te faz feliz" ou aquela velha música que alguns amigos cantam para tentar te consolar no momento ruim e não sabe como e joga um "sacode, levanta a cabeça e dá a volta por cima". Alguns dirão para ser delicados e não falar a real, do tipo "você é fraco e tente lidar com isso". É doloroso, mesmo se for a verdade.
    

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Solitário

     O vento bate no cabelo fazendo bagunçar ele todo, o pensamento está mais longe do que nunca, talvez seja hora de admitir para o psicólogo que esse tal amor também faz um mal danado, um amor que nunca mais irá voltar, nunca, nunca, nunca mais. O remédio parece que fez as lágrimas secarem, as músicas que antes faziam elas caírem já não fazem mais, o efeito é grandioso, e elas teimam em ficar guardadas. Existe uma sensação de bem estar, mas existe outra que é de estar dopada. Dois lados da moeda.
    Quão humilhante é necessitar de remédio para ser "feliz", para tentar enxergar o futuro e a própria palma da mão. Ter que admitir que é possível fazer tudo sozinha mas tem medo, medo de sair da zona de conforto, medo de arriscar mais, tudo tão devidamente calculado e arquitetado. É humilhante porque isso se aprende sozinho, mas e quando não se sabe ser sozinho? A solidão imposta é horrível, e mais horrível quando você mesma se aprisiona.
     São 22:00 horas, a casa toda dorme, há silêncio e escuridão, silêncio quebrado com o cordeirinho fazendo sua bagunça noturna, com o barulho do vento que bate na palha da carnaúba e faz um som estranho, tão solitário quando o peito. A noite é de lua nova, não é preciso sair no terreiro com uma lanterna. Da janela frontal aberta se ver o alpendre, as estrelas, a luz do luar, as carnaúbas e tudo que a vista alcança da rede. As estrelas parecem mudar de cor, a luz do avião parece confundir, mas é um avião. O avião. É solitário.